HISTÓRIA DO CLT

INTRODUÇÃO

A Madeira Laminada Colada Cruzada – Cross Laminated Timber (CLT) vem se transformando num material conhecido no mundo inteiro, e sendo conhecido como um material muito versátil pra construção civil. De fato, a produção de CLT no mundo vêm crescendo progressivamente nos últimos 10 anos, e aos poucos está substituindo a construção que antes era feita apenas com materiais minerais. Tudo isso graças à sua estrutura colada em lamelas dispostas à 90 graus, o que faz com que os painéis possuam alta resistência.

A tecnologia do CLT foi desenvolvida na Europa no início da década de 1990, onde se tornou um material bastante utilizado. Na Europa o CLT concorre de igual pra igual com sucesso contra o concreto armado, aço e tijolos num segmento de mercado específico de edifícios multifamiliares. A definição do CLT pela ANSI (Norma Americana) é a seguinte : “O CLT é um produto de madeira engenheirada pré-fabricada feito de pelo menos 3 camadas ortogonais de madeira laminada serrada que são coladas com adesivos estruturais para formar um sólido retangular, moldado para aplicações em telhados, pisos ou paredes.” Os painéis de CLT são pré-fabricados já com aberturas para portas, janelas e dutos cortados com alta precisão por roteadores em CNC. Depois de prontos, os painéis são transportados para o canteiro de obras e montados com guindastes e uma pequena equipe de construção. As paredes e os pisos são unidos usando conectores de metal. Camadas de isolamento podem ser adicionadas aos painéis nas paredes e tetos, ou as superfícies podem ser deixadas à mostra para aproveitar o calor e a estética da madeira. A atratividade do CLT como um sistema de construção se deve ao fato da alta velocidade de montagem que o sistema proporciona, resultando em economias consideráveis em mão-de-obra e mínima perturbação nos arredores locais. Além disso, parte da atenção dada ao CLT se deve ao uso potencial em edifícios altos, a partir de 8 – 12 andares. Alguns deles já foram construídos pelo mundo e edifícios ainda mais altos estão por vir.

HISTÓRIA DO CLT

A ideia dessa placa larga e robusta de madeira, que também é conhecida como “X-LAM” ou em alemão “BRETTSPERRHOLZ (BSP)” é a princípio não muito nova. A sua estrutura básica é comparável à placas já existentes de compensados, por exemplo. A colagem de painéis de madeira faz com que se minimize os efeitos de retração e se tenha uma maior estabilidade dimensional. Portanto, o único avanço tecnológico que o CLT trouxe foi a capacidade de se produzir painéis colados de grandes dimensões e espessuras, o que faz do produto único e versátil.

O desenvolvimento do CLT no início dos anos 90 foi motivado pela necessidade da indústria madeireira em agregar valor à placas de madeira serrada. As dimensões das placas de CLT e a aplicação na engenharia fez com que o produto se tornasse uma opção real, num mercado que há mais de 100 anos era dominado por materiais minerais. Em termos de arquitetura e engenharia, as placas de CLT trouxeram uma nova visão de projeto que passou a ser pensar em planos e volumes, ao invés de apenas linhas.

O termo “Brettsperrholz” foi usado pela primeira vez em 1981 pelos engenheiros alemães Dröge e Stoy, para designar painéis colados cruzados para pontes. Foi traduzido para o inglês “Cross Laminated Timber” por Schickhofer e Hasewend em 2000. Porém, existem estudos de que placas de madeira laminada colada cruzada já tinham sido estudadas no início do século 19, mais precisamente em 1908 por Schuchow e Kalep. O registro da primeira estrutura em CLT no mundo, uma pequena residência, se deu em 1993 feita por Schuler e Guyer. O CLT como conhecemos hoje, de forma engenheirada, teve sua primeira construção, também residencial em 1995, feita por Moser.

A Tecnologia do CLT teve seu desenvolvimento inicial primeiramente na Alemanha, Áustria e Suíça e teve sua aplicação em pequena escala no início e de 10 anos pra cá numa escala industrial. A normatização do CLT na Europa começou a ser implantada em 1998 e foi aceita em 2008. A norma que regulamenta a produção de CLT (EN 16351) foi lançada em 2014 e agora o CLT deve entrar na norma de madeira da Europa, o Eurocode 5.

CONCLUSÕES

Considerando o crescimento exponencial do uso do CLT no mundo, principalmente no Canadá, EUA e Japão e inclusive no Brasil é necessária uma normatização mundial das placas de CLT, englobando produção, testes em laboratório, design, cálculo, detalhamento, ligações e execução.

O uso de madeira de Pinus no caso do CLT brasileiro é bem vindo e é atualmente a madeira ideal para a fabricação do CLT por aqui. Ainda faltam estudos mundiais de CLT com madeiras mais densas e com placas de CLT utilizando madeiras de espécies diferentes.

Sobretudo o CLT não veio apenas pra revolucionar a indústria da construção em madeira e sim para revolucionar toda uma indústria de construção mundial, que não mudava há mais de 100 anos. Atualmente o potencial do CLT pode ser visto em edifícios de múltiplos andares pelo mundo. De qualquer forma é essencial que as particularidades da madeira devem ser levadas em conta como por exemplo a vulnerabilidade à umidade. Consequentemente os detalhamentos que previnem a estrutura de ficar exposta devem ser obrigatórios e regulamentados.

Quando se projeta em CLT é necessário levar em conta a estrutura como um todo e não apenas peças individuais. Para tal já existem softwares para o cálculo de estruturas em CLT como o RFEM da Dlubal, o Timbertech, o SCIA Engineering, o Robot e o Strusoft.

O CLT não concorre de fato com o sistema linear pilar-viga já conhecido pelas estruturas de madeira e sim concorre diretamente com materiais de base mineral como o concreto-armado e o aço. Isso devido ao fato que pode-se sempre utilizar espécies locais para a sua fabricação, de forma sustentável, beneficiando diversas regiões pelo mundo. Inclusive no Brasil.